quarta-feira, 5 de junho de 2013

inofensivos


Entretia-me, falava várias vezes e enquanto o cinzeiro cheirasse às suas guimbas, não retirava-me de lá, apenas se levada por seus braços. Gostava dele, gostava ainda mais quando saciava-me a vontade de contar alguns de meus casos versejados de acasos que atropelaram-me no dia. Ele os escutava, tomava um conhaque, oferecia-me seu colo e lábio… Algumas vezes, não conversávamos. Eu conhecia os cômodos de sua casa, conhecia as pessoas de suas fotografias e seus pais. Ele conhecia meu corpo, também minha alma e uma vez, conheceu meus pais. Sentia-o subir as paredes quando arrastava as unhas em suas costas e quando ele roçava sua barba em minha pele, meu gostar por ele intensificava as expectativas. Gostava de quando ele desviava o olhar e eu podia olhá-lo por quanto tempo pudesse e se voltasse a me encarar, olhava pro extremo oposto, convencida de que ele não notara. Eu gostava de convencer-me que esses gostares eram inofensivos.

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