domingo, 2 de junho de 2013

eu não saberia te aproveitar



 De onde vem toda essa beleza... não sei, apenas me pego admirando. E tropeçando, não sabendo o que dizer ou se devo, até. Ou ficar em silêncio é uma prova do meu gostar insano? Do meu respeito inteiro, da metade da minha vergonha? mas se me elogias, ou fala um pouco sobre mim, desabrocho, me toca na vaidade, me sinto infinitamente tocada, estimulada com seus risos, seus toques e a suas distrações. Eu poderia ficar ali, só observando absorvendo toda boba como é toda essa sua loucura. Cheirar alguns livros com você, não importa. Só os certos, ou não. Prosear um pouco na cabeça, "ah, que loucura!", mas te aceitar como é, do mesmo jeito, pois me aceita toda errada como sou, também. E nem sei porque o faz, nem sei porque o tenta, nem sei porque atura e procura, ao mesmo tempo em que foge. E o seu fugir já não me deixa à toa, eu sei me cuidar de você agora... Simulo como estou bem, simulo um bem danado, mas até que sei me virar. E me virar por aí, pelas coxas, pelos anos, pelos dias, mas está melhor agora, estou melhor agora, me livrou da saudade dos teus olhos que me metem um medo danado, inclusive. Embora eu tenha tantos emboras pra te contar... Esse é o meu dilema, do morango, te querer profundamente aqui ou te querer tão longe só pra admirar, pra nunca estragar a sua beleza, pra não encostar os meus dedos horrivelmente podres na beleza das tuas pétalas, das tuas cores. Isso, fique à minha distância, não se meta comigo, eu não saberia te aproveitar... não, eu não saberia. E mesmo assim, te desejo infinitos morangos, para que os devore como devora todas as minhas sanidades. E me procure, mas também me esqueça e por favor, não vai embora.

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