segunda-feira, 15 de julho de 2013

a carne chama colada no osso

tô com mania de misturar as línguas. De manhã, vai do italiano ao francês na facilidade da língua. Às vezes repito com Humbert "lo-li-ta" só pelo prazer das três viagens com a língua. Descobri hoje a origem da palavra ansiedade. Vem do alemão angst. Do grego antigo ao latim, angor. Angor procedeu a palavra egípcia ankh, que significa a primeira tomada de ar do bebê. A ansiedade estava relacionada à respiração — ou à falta dela, desde a raiz mais remota. 

Minhas raízes remotas estão relacionadas ao amor. Conto amor desde a primeira falta de ar, desde o primeiro fôlego... amor, talvez isso convença que não existe justiça no mundo. Eu sempre soube que não existia. Talvez se conhecessem meus âmagos pândegos desde as raízes mais remotas, como o significado de um nome, as origens da palavra, entendessem porque me condeno tanto. Embora eu não me condene mais. Sinto que nas invasões de privacidade que cometo, deixo parte minha nas lacunas dos equívocos provocados. Sou feita de amor equivocado... de amor inventado, de amor provocado. Mas é tão bom inventar amor se você não é capaz de senti-lo por qualquer pessoa. Se ele é reservado apenas a quem não é perturbado assim como você. Embora o fenômeno da ipseidade nos mantenha vazios, pois não há ninguém como nós. Há esses miúdos equívocos que ocupam corpos atraentes. É bom atender aos seus desejos, aprender outras línguas. Mas pouco me atiro nessa tentação, pouco deixo que me consuma, pois há muito só quis um beijo a experimentar. Um único a salvar a revolução sangrenta. O enigma a ser solucionado me obriga a manter segredo. 

Uma vez, numa dessas viagens linguísticas, numa das aulas de inglês que eu fazia, perguntávamos do que mais nos havíamos arrependido em vida. "I said: the lies" E acho que aquele bando de estranhos vislumbraram em mim o clímax, a ponta de excitação... reconheceram mistério, aquele segredo que eu nunca conto, aquela desconfiança. O tal do pé atrás. 

Sei não, mas está chegando o momento chave do tropeço. O momento tenso do fechar de cortinas... como se os anos despontassem apenas a vontade de ser amante viva. Deixar de escolher parceiros cegos para os jogos. Arranjar inimigos à altura, como diria Ana. Mas a carne chama colada no osso.

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