sábado, 20 de julho de 2013

desafinados

Tirei uma fotografia de ti. E não me atrevo a vê-la mais... afinal, teus olhos amarelejados sempre me lembraram as constelações. Quando você me ensinava o nome delas e suas posições, embora eu nunca me lembre o nome de nenhuma e tão menos a sua posição. Mas é claro que eu me lembro de como Champagne Supernova ficava na nossa boca o tempo inteiro. Eu, na sua boca. Eu, o seu cigarro, astronomia e Champagne Supernova

Finquei minhas vontades na tua pele com as unhas, com a saudade de atravessar meus dedos nos teus cabelos debaixo daquela tua coberta anti-alérgica. Hoje, sem você, sacio minhas vontades em estranhos, dentre eles colegas de sala ou apenas estranhos que me acham obscura, e por apenas isso, sexy e inteligente. Só que eu sou a única que parece sacar que todos esses rapazes são uma farsa! 

Eu só conseguia pensar nas estrelas imaculadas, enquanto fodia sem querer com aqueles outros meninos. Não poderia pensar, jamais, que você teria tido tanta graça e leveza em não se apaixonar por mim como a que eu tive no medo de não me apaixonar por você. Embora tenhamos nos amado tanto entre uns livros desbotados de Nietzsche, filmes do Terrence Malick, bad trips, primeiras vezes, sangue e tudo o mais a que teríamos direito por sermos apenas quem éramos. 

Por ser quem fomos. Responsáveis por aquilo que cativamos. Presos à obsessão complexa e aniquiladora do âmago mútuo, cobertos de merda até as raízes mais remotas da existência, cientes de toda patologia envolvida quando os corpos rasgados de terror superam a raiva e sussurram para um outro corpo coberto de carne, por cima dos ossos, cheios de sangue, que o amam. Que o desejam. Como a benção de um deus humano, maligno e maquiavélico, como se a melodia rasgada e corrosiva doesse nas unhas que atravessam a sua pele. Você, na minha pele. 

Mas eu tive que te deixar ir, não pude ser tirana o suficiente para não compreender as minhas próprias razões. Não consegui ser cínica, não consegui herdar o teu cinismo! O único amor que não me deixou a beira do desespero. A beira daquele velho discurso que apenas você conhece, porque com você eu tinha a certeza de que nunca chegaria a escrevê-lo ou discursá-lo. 

Era você.
Sei lá, de uma forma, sempre foi você. 

Mesmo que não seja você, nunca e de modo algum. 

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