domingo, 14 de julho de 2013

elephant (so why would he take me horny?)

Eu quis avisar antes... mas sabes que eu não devia. Ele tava lá, todo envolvido, num envolvimento insano e imprudente. Eu não deveria saber de nada, mas deveria supor, pois eu tenho essa merda de intuição que serviria a momentos como esse. Minha especialidade é a insanidade alheia, tão pouco quanto a minha própria. Mas você tem que morrer, isso tem que parar! Porque, certamente, se não viesse com suas eternas merdas pra cima de mim de novo, com aquela voz que há anos eu não ouço, se você não tivesse me visitado, se você não tivesse respondido aos meus e-mails, se você ao menos não tivesse mantido esse velho número, porque sabia que eu não resistiria a ligar pra você... Mas você supôs tudo isso. Você me pôs nesse jogo há anos atrás e as suas torres foram sendo comidas pela rainha e só sobrou um pobre pião pra te defender. Mas eu deveria supor, pois eu tenho conheço e você é um tremendo filho da puta. Saibas, então, como já sabes a algum tempo, que resolvi me abster do seu tabuleiro e comecei a jogar outro jogo... e sim, estou a ganhar esse jogo. Em segredo? Talvez. Se ele acha que me tens na mão? Sim... crê veementemente nisso, mas apenas porque a fé é boa. Porque a queda do alto é maior. 

Assim como fincar raízes. Mas acho eu que ele desconfia de mim... acho que andei perdendo a prática, sabe? Com os homens. Os homens são diferentes, são prepotentes, egoístas e desapegados aos detalhes. São mais burros ainda envaidecidos, embebidos pela vaidade de ter uma mulher assumidamente apaixonada, jogada aos pés deles. Ainda que seja mentira, eles aceitarão como verdade, pois são felizes quando enganados. Como são inocentes, então, os meninos. Esses ainda não podem jogar e quando, nós, eu e você, dois infelizes solitários, resolvem jogar com eles... Nós fodemos com a experiência infantil deles.

Sabe que nós deveríamos ser punidos. Eu e você. Nós, se me permitir dizer. Ando me rendendo, tendo fraco por confissões. Inclusive, a quem ler... talvez seja uma confissão. O menino provavelmente lerá, se perguntará se é pra ele. E saberá que é. Eu não saberei se leu, afinal. Não me importa também. Minha cabeça anda cheia demais, pois já havia me cansado desse jogo há algum tempo. Preciso de ação, algo que me faça sangrar... talvez eu deva voltar às mulheres? Embora os homens sejam menos entediantes. Talvez algum perigo... Se você apenas me deixasse ser eu mesma! Se você ao menos voltasse e contasse a todos quem eu realmente sou. Quem realmente você é! Que eu fosse punida, cumprisse pena e pudéssemos viajar. Porém, eu sei qual seria sua resposta... Mas eu não te faria perguntas, pois odeio as tuas respostas. Eu não te pediria nada, pois sei que me darias tudo. Eu não te beijaria, pois não quero beijar-te. Eu não iria te pedir pra dormir comigo, pois sei que isso iria me machucar. Mas nós poderíamos recomeçar em outra cidade, como Bonnie e Clyde... talvez.

Não, não há chance de recomeçar com jogo. "Alice não escreva aquela carta de amor" não me impressionou... É delicado, como eu disse. E repetirei. Há tempos que as pessoas deveriam saber de nós. Seríamos épicos, mas você não quer reconhecimento algum... Creio até que está se tornando uma pessoa dotada de bondade. [Risos como num script. Na boca do seu estômago]

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