domingo, 21 de julho de 2013

eu através de um relato teu

"Ela ficou me olhando. A música tremulava, os gritos através das caixas de som ecoavam pouco dentro dos meus ouvidos surdos que apenas escutavam os gritos delas. Ela tava em cima de mim, não tinha como não escutá-la. Aqueles ojos rasgados manchados de preto, aqueles ojos demoníacos que me engoliam cada vez que ela esquecia as letras da música e a única coisa que podia fazer era crispar os lábios e olvidar-se de mim. Mesmo que estivesse em cima de mim, com as pernas enroladas nas minhas coxas, ela sempre foi capaz de me esquecer estando por perto. Longe, tão mais. Quase não se recorda de mim, não sei porque ela faz isso. Talvez eu me sofra um pouco pensando nela, mas ela não teria o direito de não sofrer tanto por não pensar em mim!

Não me esqueceria quando Queen ficou na tua boca o dia inteiro, eu e o Freddie Mercury dividindo uma mesma mulher. Mas sempre digo que fizeste aquele teatro todo pra que eu me apaixonasse por você e você não se apaixonasse por mim. Compreendo que ame esse outro cara. As tuas primeiras constelações. Te ponho a dispor desse direito, entretanto, quando estiveres comigo, esteja comigo! E não me canse dos teus teatros jamais! Nunca destes teus ojos. Tão poucos dos teus lábios. Só tente esquecê-lo por um segundo do teu corpo quando eu estiver na tua pele. Depois você pode voltar a ser quem és. Aquela que nunca acena de volta se me encontrares na rua."

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