quinta-feira, 4 de julho de 2013

minha bagagem sou eu

Lembrei de você que fez-me começar algo de novo e que desfez os meus laços mais frouxos que tinham a máscara mais apertada. Lembrei-me de você e fiquei triste em saber que eras tudo aquilo que sempre quis e que quando se revelou passou a ser aquilo que eu não quero mais. Não por você, mas por mim. E lembrar de você fez a mim um novo desejo de consumo a que venho buscando. Estou conseguindo, confesso, afinal, uma boa bruxa consegue o quer. É que eu nunca tinha querido algo o suficiente em vida e achava que sim e acreditava que as pessoas deveriam me pertencer, pois assim a manipulação e os jogos ficariam mais divertidos. Talvez como Alex, o garoto intelectual e impotente. Impotente. Antes de descobrir-me, não havia magia alguma em mim e meus desejos ilícitos não se completariam, disso não há dúvidas. E embora, agora, lacônica e seca a todos os meus desejos anteriores, descobrir-me faz com que eu sinta mais de mim mesma em mim do que nos outros. Esses outros que eram pedaços de marionetes minhas que andavam por aí acreditando que andavam por conta própria, mas os pensamentos eram meus. E se este rapaz sentiu o que eu queria que ele sentisse é porque eu sempre quis que ele não sentisse. A minha falta de sorte era a de querer algo através de enigmas, enigmas que vejo em pessoas, mas não em mim mesma, sendo que desde o começo sempre fui eu o maior enigma. Um enigma sem solução, pois se hoje amo, amanhã já deixei de amar com a rapidez de uma raposa e a burrice de um sábio. Bastaria conhecer-me melhor, bastaria que eu soubesse que minha magia está nas palavras, está na essência das vozes em minha cabeça (esquizofrênicas ou não). Não está em meus olhos como eu gostava de acreditar, pois meus olhos, descobri, atrapalham tudo. Atrapalham aos rapazes, às moças, pois se os olhos são as janelas pra alma, minha alma é bagunçada e cabe apenas a meus cabides abrigarem as minhas roupas. Minha nudez. Minha mudez. Descobrir dentro de mim esse armário de coisas não me deu o ímpeto de arrumá-las, não, mas também não gostei dessa bagunça. Simplesmente pelo fato de que eu não poderia pedir por promessas a mais ninguém, pois eu nunca as cumpro pra mim mesma. O segredo é aceitar-me como uma completa loucura de renome. Como um rascunho para os meus próximos anos e abandonar a todos esses sentimentos forjados. E deixar que meus pensamentos se consumam por si próprios, sem medo de sê-los, sem medo de pertencer a ele. Entregar-se a si mesmo. E isso me desespera. Se ando triste é por conhecer alguém triste, eu mesma. É por não conseguir ser a pessoa que sorri aos outros. É por não querer mais olhar alguém nos olhos para que não se veja mais a minha tristeza de ter se descoberto. Se não olho mais nos olhos desse ou daquele rapaz não é por gostar demais, entenda. É por não querer que gostem demais. As pessoas gostam de tristeza... E não suplico que gostem de mim. Mas me irrita que você, amante de Kundera perdido, tenha gostado de mim e da minha tristeza ainda mais quando devorei os teus olhos com os meus. Me irrita que todos eles, apesar da bagunça, tenham desviado dos meus olhos apenas porque eles lhe obrigam a coisas ilícitas. Me irrita que possam ver a magia neles quando eu mesma não a controlo. Eu gosto de controle, de domínio e de manipulação. Se sinto ou se não sinto, já não sei bem. É errado pensar que amor é uma fraqueza, a que consigo fingir muitos sentimentos, inclusive este que ninguém sabe reconhecer ou explicar. Tenho mestrado em confusão, tenho diploma nas artes cênicas do fingir. E se alguém me conhece de fato esse alguém não sou eu. Nem você. Nem eles. Talvez nunca ninguém vá me conhecer, se não o fizer de olhos abertos. 

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