quarta-feira, 3 de julho de 2013

minha única vaidade

"você não pode ser"
E desde que eu me esvaí de mim, a minha vaidade tornou-se livre e foi procurar agarrar-se em alguém ou alguma coisa que não fosse a mim, pois a isso já não me apetecia estar sozinha. E rodei o mundo sentada, espalhando nas áreas remotas navegantes coleções de fotografias e inteligências, frases eternas de grandes jovens que jamais serão nada além do que já foram um dia. E falando em navegar, meu querido navegante de sotaque literal, a quem do ódio surgiu-se um amor leve, livre e louco pra minha vaidade. E serás assim, cheio de repressões à tua mania política revolucionária quixotesca, cheio de repressões às minhas manias de provocar-te com "frases eternamente adultas demais para o seu próprio bem". E que essas sejam nossas únicas repressões, pois já presos estamos a situação de finito, de que nunca irás, como eu nunca irei, atravessar mar algum pra ir te ver e nem você pra vir me ver, porque nenhum de nós quer se ver. E que precisarei beijar a mais algumas bocas para imaginá-las como a tua. Mas talvez, quem sabe, se por loucura, leveza e liberdade você não diga de novo, me prometa que no seu quadragésimo aniversário você irá me procurar e irei te pertencer. Mas a nada alimento tais idílios, eu os acho apenas bom para mastigar, nunca para engolir. Agradeço apenas o fato de poder me salvar de mim, salvar minha vaidade de remoer mágoas e de me forçar a coisas que eu jamais seria forçada se não fosse ao próprio colonizador tirano e sedutor. Me renderia, mas não me importo com isso... sabe, faremos o que quisermos, mas faremos de olhos abertos. Essa é a última vez que falo de você.

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