sábado, 26 de outubro de 2013

para onde irá essa noite?

insisto numa imaturidade comum.

por que você me toca dessa maneira?
se aquela mulher que tua mãe conhece
espera que você ceda das noites
enrubescidas de conhaque?
se há alguém na tua cama,
te esperando voltar,
de cara limpa, roupa limpa
sem marcas na boca ou no pau?

pra quê me dar o teu desejo,
se não podemos ser?
pra quê dar-me a tua noite,
se não podemos ser dia?
pra quê querer o meu corpo,
se na manhã seguinte eu me desfizer?
pra quê querer o meu desejo,
se não pode sê-lo completo?

não se engane,
não é por querer uma vida completa,
nem incompleta,
com você

mas é por querer a intensidade
dos vivos
ao menos uma noite inteira
de corpo e alma inteiro
nem que na manhã seguinte
o pássaro selvagem voe pra outra direção.

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