domingo, 3 de novembro de 2013

Os lábios secos encontraram a seda íntima, tragando do “tecido” o doce aroma natural de boas ilusões. Boas vibes. Ele não tinha dinheiro para muita coisa, apenas para uma camisinha barata, alguma cerveja e aquele baseado bom, no qual não economizava.

As projeções de sua mente o inundavam num êxtase de constante lentidão e prazer, sem a podre ansiedade regulada do cotidiano exaustivo. O efêmero prazer se dava de forma tão intensa que a prolongação era biologicamente exata. Enquanto lá fora explodia constelações e chuva, dentro dele explodia o tesão, a vontade de roer o osso, expulsando o pau das calças com uma ereção que doía.

Tinha, numa proporção exata de satisfação, o tamanho certo para uma apresentação digna. E a garota no seu colo, no instante de seu tesão insuportável, escorregou a calcinha para encaixar sua pequena forma úmida nas veias saltadas e grossas do cara que tinha uma boca com gosto de mel.

Dividiam o baseado e o silêncio há horas. A garota tinha olhos de caleidoscópio, mas não chamava-se Lucy e certamente o seu céu não era feito de diamantes, como gostava de acreditar o cara que deslizava a sua calcinha com fome. Enquanto a mente patologicamente se concentrava em todo o apetite sexual acumulado num membro de dezessete centímetros faminto, o toque adestrava pausadamente as vontades por aquela pele vagabunda.

Uma arritmia cardíaca manifestou-se sob ambos os corpos, enquanto, a estímulo do clitóris, o cara se certificava de manter a garota faminta, embora numa extrema depravação egoísta, a sua mente estimulasse ofensivas e atraentes perversões. A garota gostaria de ouvir o que sua mente pensava freneticamente naquele instante.

Os dedos dele se moviam circularmente e a música, os ânimos desinteressados, os companheiros acelerados demais para a vagarosidade alheia, impediam que os gemidos da garota fossem escutados ou ao menos interrompidos por vergonha ou qualquer expressão externa que impedisse a introspecção prazerosa que experimentava profundamente. 

“Lucy” sentia o caminho de cada gota de suor descer por seu pescoço, cada umidade diferente que experimentava molhar a sua pele, antes seca, antes fria, antes sozinha. Tremia com a dinâmica da melodia que o cara estava determinado em dedilhar. Podia ouvir a melodia, numa frequência distante e fechada, tenra, apossando-se do seu corpo, amolecendo suas células, transformando-a em água, onde ela poderia sentir-se, tão só, sublimando.

O cara, concentrado em fazer-se de concupiscências, desapertou o cinto sem tirá-lo e expulsou seu pau endurecido, pelo zíper, procurando aproximá-lo rapidamente da abertura apertada da garota que ainda sentia as pontadas da melodia em sua fragilidade. Segurou-o pela base, mas não se masturbou nem por um segundo, concentrado em comer aquela buceta com todo o fervor necessário. 

Ele abusava de todo o espaço fornecido, olvidado de suas superficialidades anteriores, incorporando puxões de cabelo e zelo aos pequenos seios rosados que encaixavam-se perfeitamente nas mãos do rapaz. Ouvia atentamente ao som que a boca de Lucy reproduzia ao pé de seu ouvido, ainda que se parecessem com pequenos ruídos, abafados pela música frenética. Gostaria de estar completamente despido de roupas e pudor.

Ele subia e descia vagarosamente, imergido diretamente naquele calor incrível, provocando e sendo provocado em uma mesma proporção, enquanto a garota também se movia como se estivesse em uma montanha russa. A cada bombeada mais incisiva, Lucy agarrava as próprias coxas, buscava por mãos às quais entrelaçar as suas e encontrava aquele cara silencioso, amarrando os dedos aos seus, que a comia numa envolvente foda chapada que ela não experimentava há anos.

Às vezes, transcendiam sem consentimento, o clímax aproximava-se e se perdiam em campos de morangos, céus de marmelada e árvores de tangerina. Os dedos enlaçados tremiam, ardiam e às vezes, congelavam. O calor consumia, o frio se aproximava e poderiam estar cegos, surdos e mudos e ao mesmo tempo experimentar as sensações do modo mais profano.

O que importava a eles era foder. E o prazer da foda eles dividiam tão bem quanto o silêncio e aquele último baseado.

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