terça-feira, 29 de abril de 2014

eu conheço o meu samba

se eu tenho no meu samba algum problema
é porque estou coberta da tristeza
de quem se atreve a amar com poesia

quisera eu, ingênuo anseio
te ter quando eu pudesse tê-lo
quando o tempo fosse meu inteiro
e meu corpo pudesse ser o teu,
sem restrição

mas eu navego pelo mar aberto, amor
sem medo das ondas da tua Mãe
que veleja da minha imensa dor
ela é também mulher

eu navego pra tanto porto, amor
sem saber se posso ficar
sem nem querer, sem nem cobrar
de vento em prosa por um cobertor

despertando em abraço morno
qualquer tipo de afeto
isso eu não mereço
mas também não nego
e me surpreende que seu abraço quente
me tenhas mais de perto

quando nas noites do teu suor profundo
você ouvir pequeno sussurrar vagabundo
vem de mim 
nesse mar em que me afundo

e quando me ouvir
não tenha medo, amor
a vossa Mãe conhece a vossa dor
e não deixaria eu te tragar
se em um louco beijo
eu ameaçasse te castrar o samba

se eu tenho no teu samba algum problema
é não querer cobri-lo de tristeza
com o desassossego que trago ao teu amar.

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