sexta-feira, 11 de abril de 2014

não me cale

que meu calar
seja necessário
apenas nos silêncios
onde cabem dois

que meu calar
silencie o teu calar
com um beijo surdo
ou talvez dois

que meu calor mudo
se atenha ao teu calar-se cego
e que a tua boca
com a minha 
descanse de nós

que meu silêncio
não silencie 
os ruídos do teu corpo
nem do meu corpo
nem dos nossos suores
mas que tenhamos,
quando o silêncio se for,
um ao outro.

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