sexta-feira, 30 de maio de 2014

céu I

— Quero viver em paz. – ela suspirou, estagnada no trânsito de constelações.
Ele se virou para olhá-la, tentando não colidir com o infinito.
— Eu não lhe dou paz. É isso?
— Não, Gabriel.
— Então, que eu não lhe dê.
— Eu quero paz. – ela disse novamente, inundada em imensidões de corpos celestiais.
— Eu estou ofendido. Eu não lhe ofereço paz!
— Você me oferece paz, Gabriel. Eu só não a aceito de você.
Ele pareceu confuso, enquanto desviando de estrelas.
— Por que não a aceita?
— Eu quero dançar com você. Mas você vai me conduzir...
Ele ficou em silêncio, com aquele olhar marejado de ondas violentas.
— Eu preciso da minha paz, Gabriel. – ela o enxergou através dos seus olhos e fez uma oração.
— Você não me dá paz.
— Nem ofereço. Não roubarei a única que você possui.
— Você é tão inocente, pois é a única paz que eu tenho. E só por isso ofereço.
Ele selou sua boca com um beijo e eles continuaram viagem.
Em paz.

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