domingo, 11 de maio de 2014

eu vivo pra amar

eu tenho medo desse sentimento dormente que se aloja em mim cada vez que eu piso nessa cidade. É um choro velado, de deuses passados, de plenitudes muito extensas para serem extinguidas com infinitos de felicidade. E aí me vem a vontade viciosa de fumar um cigarro ou dois, tomar uma garrafa de vinho ou quatro, para mascarar a vontade chorosa de estar em outro lugar. E me sentir culpada a cada sentença de amor que me é perfumado. Eu amo o cheiro dela, amo poder abraçá-la e dizer que a amo a cada vez que chega exausta do trabalho, mas meu tempo é onde. Meu tempo é quando. Meu tempo não é aqui. Sou, aqui, tempo perdido, com todo o perdão do empréstimo infeliz. Eu me sinto presa a vontades escapistas e burras, quando, no mínimo, distraídas. Estou com medo de ser subjugada a esse lugar de novo. A esses infinitos retóricos e pictóricos que me fazem descrer numa felicidade, ainda que efêmera. Eu creio e crio monstros para me salvarem de um inferno dantesco, quixotesco, enormemente babaca.

Mas eu me protejo da dor e projeto esperanças, vontades e uma fé enorme. E sigo com meus vícios, minhas ilusões, os meus amores, meus poemas, minhas solidões, sem nunca ceder, nem nunca ganhar, nem nunca perder e nunca matar.

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